Entrevista Paulo Filho.
Após passar por sérios problemas pessoais, Paulo Filho vem demonstrando que a recuperação é possível. Parado por um longo período, Paulão, teve um dos combates mais duros de sua vida: vencer a depressão e para isso precisou lutar contra si próprio.
“Eu passei momentos muito dificeis. Tive uma depressão muito forte, o que me levou a um desânimo total. Mas, como um bom lutador do Carlson Gracie, eu me reerguí”. Paulão recebeu um grande apoio da comunidade dos lutadores e fãs que acreditam no seu potencial e ainda querem ver o brasileiro lutando pelo cinturão do UFC.
Apoiado em todos momentos, pela sua família, Paulão se recuperou e enfrentou um lutador casca grossa da luta, , o holandes Melvin Mahnhoef. Foi, realmente, uma tremenda pedreira, como é dito no linguajar dos lutadores.
O palco da volta foi no Japão, terra em que Paulo Filho é rei. Imbatível na Terra do Sol Nascente, Paulão teve um começo de luta complicado, já qua Melvin, partiu pra cima, pressentindo que se a luta se estendesse poderia acabar favorecendo Paulão, acertando diversos socos no brasileiro. Quando todos esperavam que Paulão pudesse perder, ele deu o famoso bote do Brazilian Jiu-Jitsu e finalizou Melvin, com um belo armlock.
“Eu comecei levando uma desvantagem e terminei com aquele armlock plástico. No momento da luta, eu sempre entro na condição zen e não penso em estratégia alguma, apenas reajo”.
Quem esteve assistindo ao Dream, presenciou este momento histórico na vida de um ser humano e lutador, já que a luta foi daquelas em que o brasileiro tirou de sua cartola: o jiu-jitsu afiado e sempre inquestionável, 100% eficiente.
Na sua luta no Bitetti Combat 4, Paulo Filho fez uma luta morna e acabou sendo vaiado pela torcida no Maracanãzinho, palco da história do MMA mundial. “Foi uma emoção muito grande lutar no Maracanãzinho, que foi o lugar onde tudo começou, mas realmente lutei mal, não me preparei como devia”. Espero que um dia a gente possa ter um grande evento como o UFC, aqui no Rio.
O Bitetti Combat 4 contou com grandes nomes. O apoio que tivemos foi muito importante. Certamente, esses atletas passam por pressões psicológicas assim como eu passei e ainda passo. Mas o que seria bom mesmo é que as pessoas mudassem um pouco a mentalidade, antiquada, de achar que o esporte MMA é violento.”
Quando falamos de Carlson Gracie, Paulo Filho demostra uma emoção muito forte e dedica todas as suas vitórias ao mestre, devido a gratidão por tudo que aprendeu no decorrer da sua formação.
Bate -Bola com Paulo Filho.
Onde você prefere lutar: nos EUA ou no Japão?
Eu não vejo nenhuma dificuldade em nada disso, pois como e disse, eu entro em um estado muito zen. Em relação a ter que escolher o lugar em que prefiro lutar, eu diria que tenho um carinho muito grande pelo Japão.
Qual seria um lutador duro que poderia te dar trabalho?
Wanderlei Silva
Não tem como apontar. Cada um tem sua peculiaridade.
Familia: esencial. Tudo. Vida.
Amigos: quando é de verdade, é como irmão
Jiu-jitsu: minha vida
Esporte que você praticaria se não fosse o jiu-jitsu: futebol
Você é bom de futebol: eu jogo direitinho
Alimentação: eu como de tudo, até pedra.
Kimono ou sem kimono: kimono sempre
Você ainda pensa, algum dia, em lutar um campeonato de jiu-jitsu?
Sem dúvida alguma. Só preciso de um tempo para me preparar.
Carlson Gracie: depois de Deus, responsável por tudo o que tenho na vida. É Deus no céu e ele na Terra.
Família Gracie: a mesma coisa do Carlson.
Sonho: viajar pelo Brasil em busca de novos talentos
Algum fato engraçado que você tenha vivido: em 98, eu e Carlson fomos no Consulado para tirar meu visto. Ele começou a falar um monte de coisas para a consul e ela foi lá pra dentro e quando ela chegou, eu tive meu visto negado.
O que te decepciona: a quantidade de talentos que existem no Brasil, e que não têm infra-estrutura nenhuma, nem apoio.
Você pretende, um dia, ter uma academia sua?
Se Deus quiser. É o que eu sei fazer e o que amo.