18/11/2009 - 22h15m

Senado homenageia Hélio Gracie, criador do Brazilian Jiu-Jitsu.

Foi realizada no último 17 de novembro, no Senado Federal em Brasília, uma sessão em memória de Hélio Gracie, responsável pela difusão do jiu-jitsu no Brasil.

matériaOscar DaniottifotosOscar Daniotti

Hélio foi reverenciado pelo Senado, em sessão especial.  Hélio Gracie, idealizador do estilo conhecido como Brazilian Jiu-Jitsu, morreu em janeiro deste ano, aos 95 anos de idade.
O dia pode ser considerado histórico para a arte suave, já que o apoio, por parte de diversos senadores, foi grande.  Em nome do esporte nas Olimpiadas de 2016 e também da inclusão do jiu-jitsu nas escolas brasileiras, o senador, Arthur Virgilio, pediu ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) que inclua o esporte nas Olimpíadas de 2016, que serão realizadas no Rio de Janeiro, como esporte de exibição. "Não podemos aceitar esportes exóticos como Rugby e Golfe, por exemplo, uma vez que não são esportes brasileiros" enfatizou o senador. 

    Tivemos presente, na sessão, nomes como:  Magno Malta, Mão Santa, Eduardo Suplicy,  Marcelo Crivela, Marcelo Itagiba, Luiz Fux, Arthur Virgílio, Flexa Ribeiro, Jefferson Praia e Sérgio Guerra. Rickson e Rolker Gracie, filhos de Hélio, também estiveram presentes, além dos sobrinhos Reyson e Reyla Gracie. Quem também estava, no plenário, era João Alberto Barreto, Wallid Ismail, Pedro Valente, Prof. Tarcisio, entre outros.


    Autor do requerimento que resultou na homenagem, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que é faixa preta de  jiu-jitsu, lembrou que essa modalidade de arte marcial é reconhecida  em todo o planeta.  Arthur Virgilio   fez um emocionante discurso ao relembrar Hélio Gracie e seus ensinamentos:  “Quantas lições de integridade moral, quantas lições de determinação... Eu me comovo... Lutador de jiu-jitsu chora também.
Não é só o Hélio Gracie. Eu duvido que qualquer uma das pessoas que vá falar, aqui, não se emocione também.
O jiu-jitsu teve uma influência muito significante na minha vida e talvez  eu deva, a este esporte, tudo que sou hoje.  Muito obrigado.”


    Magno Malta (PR-ES) defendeu a prática de esportes de lutas, a exemplo do jiu-jitsu, nas escolas brasileiras, sempre ressaltando a importância da arte marcial para uma criança em desenvolvimento. “Quando  assisto ao Première Combate,  vejo o Octogon, os ringues e fico pensando por qual razão o Ministro da Educação, que é jovem, não despertou ainda para diferentes modalidades de luta.  Digo isto porque, se nós tivéssemos uma escola de jiu-jitsu, de MMA, de Muay Thai ou de junção de lutas, nas escolas do Brasil, em tempo integral, como matérias que são obrigatórias, dentro do currículo, seria importantíssimo  já que lutamos tanto para ter crianças na escola. Mas para dar que tipo de atividade?  Seria somente para  dar comida? Ontem, o Brasil jogou futebol de areia nos Emirados Árabes e eles criaram um Banco para patrocinar o futebol de areia!”

O Deputado Marcelo Itagiba relembrou os momentos em que esteve ao lado da família Gracie. “Parabenizo a todos aqueles que, hoje, são detentores da faixa preta, da faixa vermelha, mas nunca me esquecendo de que a faixa que o Prof. Hélio Gracie mais cultuava era a faixa azul, aquela que fazia questão de portar e de usar, para dizer que a importância não está no fim e sim no começo, que, em sua opinião,  leva a pessoa a  superar a si mesmo  e a  todas  adversidades.
Por isso, o meu grande abraço a toda a família do jiu-jitsu, na pessoa daquele que nos deixou, mas não nos deixará jamais, porque plantou a sua semente, não só nos seus sucessores, mas em todos nós praticantes do jiu-jitsu”.

O senador Marcelo Crivela falou sobre a grande importância de Hélio Gracie para o Brasil. “Esta sessão ilustre tem como objetivo prestar justa homenagem ao professor Hélio Gracie, que faleceu em janeiro deste ano.  Ele foi um dos maiores símbolos do esporte nacional, considerado o Pai do Jiu-Jitsu brasileiro e que, no exterior, é considerado como “Gracie Jiu-Jitsu”.  Esse é o espírito que norteou a vida de Hélio Gracie: ajudar aqueles que precisavam adquirir um instrumento de defesa pessoal para usar na vida. Não uma arma de ataque feita do próprio corpo, pronta para agredir, mas uma capacidade de defesa para superar dificuldades no mundo moderno.
Por isso, o Professor Gracie granjeou o respeito de seus contemporâneos e deixou um legado que permanecerá presente na sociedade pelos seus ensinamentos esportivos e cívicos.”


Rickson Gracie.

O meu pai é uma figura que sempre se mostrou para o jiu-jitsu. Mas eu gostaria de dar uma impressão bem pessoal, como filho, de coisas que ele sempre me ensinou, eu diria, talvez, de uma forma íntima. Com relação aos meus medos, ele sempre me disse que o medo é um amigo, é uma questão de inteligência para nos protegermos do eventual perigo. Então, você deve sempre ter medo, para se mostrar inteligente, mas deve ter sempre a coragem de superar o medo na hora necessária. Ou seja, o medo é um aliado até o momento em que você sai do vestiário e vai para o ringue. A partir desse ponto, há uma total entrega espiritual, e você está ali pronto para qualquer decisão, seja boa, seja ruim.
Outra coisa que ele sempre me ensinou, quando comecei aos 13 anos, foi   ajudar meu irmão mais velho, Rorion, a dar aulas e ser assistente dele, no ringue. Ele, sempre, mencionava que o professor de jiu-jitsu tem como missão resolver o problema do aluno. Em outras palavras, eu nunca tive a intenção, ou ele nunca teve a intenção de formar um campeão, de, vamos dizer assim, influenciar na forma competitiva. O meu pai sempre foi uma pessoa de observar o comportamento do aluno e, caso ele fosse  muito tímido, ele tentava dar coragem. Em qualquer questão que o aluno necessitasse de um suporte, ele entrava sempre com uma atitude de amizade, de conselho. E essa, sincera, noção de suporte fazia com que o jiu-jitsu, ensinado pelo meu pai, fosse muito além do que a simples eficiência no tatame. É uma coisa que, realmente,  incorpora toda a parte espiritual do ser humano e que dá uma confiança para você ser um guerreiro de quimono, com uma caneta na mão ou  com um bisturi. A sensação de força que você ganha é espiritual e não  física.




João Alberto Barreto foi considerado um dos melhores lutadores da academia Gracie nos anos em que Hélio comandava seus discípulos.

“Hélio Gracie já tinha uma visão de Goethe, filósofo alemão. Ele também  tinha a visão de William James no campo da filosofia pragmatista. Hélio Gracie tinha a vida de Jean-Paul Sartre no campo do existencialismo. Hélio Gracie, além de todas essas filosofias, também era um adepto, sem saber, do positivismo de Auguste Comte.
O que dizia Auguste Comte, que somente depois fui perceber em minha formação existencial? Ele acreditava que a humanidade repousava em três pilares: o amor como princípio, a ordem como base e o progresso como fim. Olha a visão desse grande mestre da filosofia francesa!
Hélio Gracie ensinando-me o desenvolvimento, disse:  você tem que ter amor pelo que faz, disciplina no desenvolvimento do que faz e tem que ter a consciência de superação de limites. O homem só se desenvolve dentro desses pilares. Sem isso, a vida não tem sentido. Quer dizer, Hélio Gracie me deu o sentido da minha vida, sem eu ter o conhecimento filosófico, que vim a ter anos mais tarde.”
   
Mão Santa (PSC-PI) observou que Hélio Gracie foi o responsável pelo aprimoramento de uma técnica de solo denominada alavanca, que proporciona mais força ao lutador. 
   
Eduardo Suplicy (PT-SP) lembrou que Hélio e Carlos foram  os criadores do jiu-jitsu moderno. Jefferson Praia (PDT-AM) salientou que as artes marciais ensinam as pessoas a se prepararem para a vida. Sérgio Guerra (PSDB-PE) defendeu a criação de um programa federal para que a população, mais pobre, tenha acesso à prática de esportes. Flexa Ribeiro (PSDB-PA) afirmou que Hélio Gracie "foi um cidadão e um desportista exemplar".  
 

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